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Segundo
Ouvi dizer ao fadista
E também ao velho amigo
Que em tempos fora toureiro,
Que o fado,
Este boémio, este bairrista
Já não é o fado antigo
Já não é o verdadeiro.
Agora
É um senhor da sociedade
É por sinal viajado,
Há pouco esteve em Paris.
Não sei,
Se é mentira ou se é verdade,
Murmuram tanto do fado,
Do fado tanto se diz.
Refrão
Mas quem passar
por velha Alfama
a horas mortas,
terá de ouvir
uma guitarra a trinar.
Em noites calmas
Gentinha sentada às portas,
Em cada peito
Há uma voz para cantar.
Em qualquer rua, em qualquer beco
Há sempre um fado,
A dar nas vistas
Nesta Lisboa moderna;
É tradição,
É recordar o passado,
Ai, querida Alfama
Tu és sagrada,
Tu és eterna!
O fado
Já desprezou a Mouraria,
A Mouraria tristonha
Chora a vida de outra era.
O cantar
Lá cessou de noite e dia,
Toda a gente tem vergonha
De envergonhar a Severa.
Às vezes
Vai de fugida
ao Bairro Alto
E num
salão requintado
Somente é
ouvido.
O fado,
Lindo fado que eu
exalto,
Hoje é caro e
respeitado
Mas
perdeu o gosto antigo.
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