ANTIGAMENTE

 

 

Antigamente

Era coito a Mouraria

Daquela gente

Condenada a rebelia.

O fado ameno,

Canção das mais portuguesas,

Era o veneno

P’ra lhes matar as tristezas.

 

A Mouraria,

Mãe do fado doutras eras

Que foi ninho da Severa,

Que foi bairro turbulento,

Perdeu agora

Todo o aspecto de galdéria

Está mais limpa, está mais séria,

Mais fadista cem por cento.

 

Adeus tipóia

Com pilecas e guiseiras,

Adeus rambóia

E cafés de camareiras.

Nada mais resta

Da moirama que deu brado

Do que a funesta

Lembrança de um passado.

 

A Mouraria

Tem perdido em tempos idos

A nobreza dos sentidos,

e o pudor, de uma virtude.

Salvou ainda

Toda a graça que ela tinha

Agarrada à capelinha

Da Senhora da Saúde.




Autores : D.R./Fado Modesto

 

<Voltar>                                        <Voltar>

http://www.fadistas.com