BAIRROS DE LISBOA

          

Vamos ambos pela mão

De duas rimas de fado

Aos bairros de tradição

Na bohemia do passado

 

Não quero entrar em despique

Mas se o quisesse fazer

Seria o Campo de Ourique

O primeiro a enaltecer.

 

Mas o bairro de mais fama

Todo fadista e marujo

É a linda e velha Alfama

Do Norberto de Araújo.

 

Lembro mais a nostalgia

Embora no mesmo agrado

De um resto de Mouraria

Que inda tem sabor a fado.

 

Bairros que o povo acarinha

Tornam mais bela e fagueira

Esta Lisboa velhinha

Tão velhinha e menineira.

 

Esse povo audaz, bohemio

Que viveu em sobressalto

Era amigo, era irmão gémeo

Do povo do Bairro Alto.

 

De entre os bairros de Lisboa

Há um que sempre é criança,

Vê lá bem se a Madragoa

Não vive cheia de Esperança.

 

Nunca da mente nos passa

Essa bohemia sem par

Que foi de Belém à Graça

De Benfica ao Lumiar.

 

A tradiçao nunca finda

Inda ninguém a matou

E o presente vive ainda

Do passado que ficou.

 

E pronto. A volta está finda

Para quê andar mais à toa

Se Lisboa é todo linda

Se o nosso bairro é Lisboa.

 

         
Autores: Carlos Conde/Alfredo Duarte Marceneiro

 

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