DUAS LÁGRIMAS DE ORVALHO       

          

Duas lágrimas de orvalho

Caíram nas minhas mãos

Quando te afaguei o rosto.

Pobre de mim pouco valho

P’ra te acudir na na desgraça,

P’ra te valer no desgosto.

 

Porque choras não me dizes,

Não é preciso dizê-lo,

Não dizes, eu adivinho.

Os amantes infelizes

Deveriam ter coragem

Para mudar de caminho.

 

Pelo amor damos a alma

Damos corpo, damos tudo

Até cansarmos na jornada.

Mas quando a vida se acalma

O que era amor é saudade

E a vida já não é nada.

 

Se estás a tempo, recua

Amordaça o coração,

Mata o passado e sorri.

Mas se não estás, continua,

Disse-me isto minha mãe

Ao ver-me chorar por ti.

 

         
Autores: D.R./Pedro Rodrigues

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