FADISTA LOUCO  

          

Eu canto com os olhos bem fechados,

Que o maestro dos meus fados

É quem lhes dá o condão.

E assim, não olho para outros lados

E canto de olhos fechados

Para olhar para o coração.

 

Meu coração é fadista de outras eras

Que sonha viver quimeras

Em loucura desabrida.

Meu coração se canto quase me mata

Pois por cada vez que bata

Rouba um pouco à minha vida.

 

E ele e eu, cá vamos sofrendo os dois,

Talvez um dia depois

Dele parar, pouco a pouco,

Talvez alguém se lembre ainda de nós

E sinta na minha voz

O que sentiu este louco.

 

         
Autores: Alberto Janes

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