FADO DA SINA     

          

Reza-te a sina

Nas linhas traçadas

Na palma da mão.

Que duas vidas

Se encontram cruzadas

No teu coração.

Sinal de amargura,

De dor, e tortura,

De esperança perdida.

Indício marcado

De amor destroçado

Na linha da vida.

 

E mais te reza

Na linha do amor

Que terás de sofrer

O desencanto ou leve frescor

De uma outra mulher.

Já que a má sorte assim quis

A tua sina te diz

Que até morrer terás de ser

Sempre infeliz.

 

Não podes fugir

Ao negro fado brutal,

Ao teu destino fatal

Que uma má estrela domina.

Tu podes mentir

Às leis do teu coração,

Mas, ai, quer queiras, quer não

Tens de cumprir a tua sina.

 

 

 

Cruzando a estrada da linha da vida

Traçada na mão

Tens uma cruz de afeição mal contida

Que foi uma ilusão.

Amor que em segredo

Nasceu quase a medo

Para teu sofrimento

E foi essa imagem a grata miragem

Do teu pensamento.

 

E mais ainda te reza o destino

Que tens de amargar,

Que a tua estrela de brilho divino

Deixou de brilhar.

Estrela que Deus te marcou

Mas que bem pouco brilhou

E cuja luz
aos pés da cruz

Já se apagou.

 

         
Autores: Amadeu do Vale/ Jaime Mendes

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