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Há mil janelas
Na minha Alfama florida,
Mas uma existe, entre elas,
A que tenho presa à vida.
Quem por lá passa,
Só vê craveiros em flor,
A janela tem mais graça
Se lá mora o meu amor.
D’antes passava
Horas sem fim perto dela,
No tempo em que namorava
Os vidros dessa janela.
Porém, agora,
Já não passo horas na rua,
Hoje moro onde ela mora:
A janela é minha e sua.
Há mil janelas
Na minha Alfama velhinha,
Sao bonitas todas elas,
Mas nenhuma igual à minha.
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