O FADO DO EMBUÇADO

 

Noutro tempo a Fidalguia

Que deu brado nas toiradas

Andava p’la Mouraria

Onde muito falar se ouvia

Dos cantos e guitarradas.

 

A história que eu vou contar

Contou-me certa velhinha

Certa vez que eu fui cantar

Ao salao de um Titular

Lá para o Paço da Rainha.

 

E nesse salao doirado

De ambiente nobre e sério,

Para ouvir cantar o fado

Ia sempre um embuçado,

Personagem de misterio.

 

Mas certa noite ouve alguém

Que lhe disse, erguendo a fala:

-Embuçado, nota bem:

que hoje nao fique ninguém

embuçado nesta sala!

 

Perante a admiraçao geral

Descobriu-se o embuçado,

Era El-Rei de Portugal

Houve beija-mao real

E depois cantou-se o fado


Autores:
Gabriel d’Oliveira/ Alcidia Rodrigues

 


 

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