TÚNICA NEGRA     

          

À noite negra

Deu-lhe Deus a cor,

Vestir de negro

Deu-me por condão,

Mas fado negro,

Negro fado não

Porque o meu luto

É sinal de amor.

 

Eu visto negro

Porque tenho fé,

Eu visto negro

Porque creio em Cristo,

Ai, negro, negro

Por amor me visto,

Mas o meu fado

Negro não, não é.

 

Ninguém me diga

Que não há beleza,

Que só há tristeza

Quando o negro impera,

Porque a andorinha

Que Deus fez tão negra

Sempre que ela chega

Chega a primavera.

Porque a andorinha

Negra, negra, negra,

Negra, negra, negra

Traz a primavera.

 

         
Autores: Frei Hermano da Camara

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